sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Alguma coisa maluca

Quantas vezes... Quantas vezes nós pensamos em desistir, deixar de lado, o ideal e os sonhos; Quantas vezes batemos em retirada, com o coração amargurado pela injustiça; Quantas vezes sentimos o peso da responsabilidade, sem ter com quem dividir. Quantas vezes sentimos solidão, mesmo cercado de pessoas. Quantas vezes falamos, sem sermos notados. Quantas vezes lutamos por uma causa perdida. Quantas vezes voltamos para casa com a sensação de derrota. Quantas vezes aquela lágrima, teima em cair, justamente na hora em que precisamos parecer fortes; Quantas vezes pedimos a Deus um pouco de força, um pouco de luz; E a resposta vem, seja lá como for, um sorriso, um olhar cúmplice, um cartãozinho, um bilhete, um gesto de amor; E a gente insiste; Insiste em prosseguir, em acreditar, em transformar, em dividir, em estar, em ser; E Deus insiste em nos abençoar, em nos mostrar o caminho: Aquele mais difícil, mais complicado, mais bonito. E a gente insiste em seguir, por que tem uma missão.... SER FELIZ !
Ronaldo

O que acham sobre você.

A maior prisão que podemos ter na vida é aquela quando a gente descobre que estamos sendo não aquilo que somos, mas o que o outro gostaria que fôssemos. Geralmente quando a gente começa a viver muito em torno do que o outro gostaria que a gente fosse, é que a gente tá muito mais preocupado com o que o outro acha sobre nós, do que necessariamente nós sabemos sobre nós mesmos.O que me seduz em Jesus é quando eu descubro que nele havia uma capacidade imensa de olhar dentro dos olhos e fazer que aquele que era olhado reconhecer-se plenamente e olhar-se com sinceridade. Durante muito tempo eu fiquei preocupado com o que os outros achavam ao meu respeito. Mas hoje, o que os outros acham de mim muito pouco me importa a não ser que sejam pessoas que me amam], porque a minha salvação não depende do que os outros acham de mim, mas do que Deus sabe ao meu respeito." Padre Melo, adaptado por mim.

Deus...Paulo Coelho

O guerreiro da luz aprendeu que Deus usa a solidão para ensinar a convivência. Usa a raiva para mostrar o infinito valor da paz. Usa o tédio para ressaltar a importância da aventura e do abandono. Deus usa o silêncio para ensinar sobre a responsabilidade das palavras. Usa o cansaço para que se possa compreender o valor do despertar. Usa a doença para ressaltar a benção da saúde. Deus usa o fogo para ensinar sobre a água. Usa a terra para que se compreenda o valor do ar. Usa a morte para mostrar a importância da vida.

Assim que nascemos, choramos por nos vermos neste imenso palco de loucos.

William Shakespeare

Reputação x Caráter

As circunstâncias entre as quais você vive determinam sua reputação. A verdade em que você acredita determina seu caráter. A reputação é o que acham que você é. O caráter é o que você realmente é... A reputação é o que você tem quando chega a uma comunidade nova. O caráter é o que você tem quando vai embora... A reputação é feita em um momento. O caráter é construído em uma vida inteira... A reputação torna você rico ou pobre. O caráter torna você feliz ou infeliz... A reputação é o que os homens dizem de você junto à sua sepultura. O caráter é o que os anjos dizem de você diante de Deus. Arnaldo Jabor

Tem coisas que lemos e guardamos para nós, mas na maioria das vezes apenas lemos, achamos interessante e deixamos de lado.
Hoje procuro fazer as coisas que acho mais do que certo, pois não terei nenhum peso na consciência no futuro. Eu sou careta por fazer coisas certas???? Será!

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Viagem...

Dizem que o pôr-do-sol às margens do Guaíba é uma das cenas mais belas do mundo. Também dizem que fumar maconha deixa mais viva a percepção das cores e que pode causar alucinações leves. Dizem ainda que Porto Alegre é a cidade do Brasil onde mais se fuma maconha. Não é de se estranhar, portanto, que Jaime tenha sentado junto com Pedro naquele MORRINHO não muito longe da Usina do Gasômetro pra tostar unzinho assistindo o sol sumindo no horizonte.
– Onde tu pegou esse? – perguntou Pedro, recebendo a OFERENDA.
– Na Conceição. Te liga que é uma paulada no MELÃO – alertou Jaime.
– Pegou quanto?
– Cinqüenta.
– Pila?
– Gramas. Cinqüenta gramas por cem pila.
– Pô, meio NOS DEDO.
– Pois é. Mas dá uns pega pra tu ver. Tu vai ficar muuuuuuito louco.
Nada de estranho até aqui.
O sol começa a mergulhar dentro do seu reflexo no rio e a fumaça começa a fazer efeito nos nossos heróis. Como de costume, diversas pessoas repetem o mesmo ritual. Noventa por cento desse risco é calculado: é fácil avistar qualquer aproximação da polícia, que ainda por cima não tem o costume de encrencar muito por causa da ERVA. O espetáculo prossegue sem maiores percalços. Uma história bastante banal, diriam alguns.
Eis que mais uma das exclusividades de Porto Alegre resolve se manifestar para mudar o rumo dessa prosa: a POLÍCIA MONTADA. Pedro avistou ao longe a dupla de BRIGADIANOS cavalgando morosamente, olhar fixo nos dois maconheiros sentados no MORRINHO. Cutucou Jaime:
– Ó, dispensa que deu merda.
– Dispensar o quê?
Não deu tempo de explicar.
Os cavalos já estavam à galope e os HOMENS DA LEI já haviam dado voz de prisão. No meio da confusão, todo o resto da MACONHEIRADA saiu correndo de perto, deixando os dois FUMETAS sozinhos com os policiais. Um deles desceu do cavalo e já foi botando Pedro no chão, revistando todos os seus bolsos. Nada. O outro puxou assunto com Jaime.
– Que que tavam fumando aí?
– Nada, nada…
– Que nada, rapaz? Tá pensando que eu sou palhaço?
– Não, não…
– Então tá mentindo por quê? Vamo lá, vamo lá, cadê a maconha?
– Não tem, a gente não tava fumando.
– Não te faz de bobo, rapaz. Vamo, mostra essa merda aí.
– A gente não tem nada…
– Olha no SACO! Esses filha da puta sempre metem no SACO pra ninguém pegar – falou o outro policial.
– Olha, rapaz, eu não vou mexer no teu SACO. Abaixa as cueca aí e tira fora essa merda antes que eu fique nervoso.
– Tá bom, tá bom…
Jaime enfiou a mão dentro das calças e puxou a PARANGA de fumo. Cinqüenta gramas, uma bela de uma pedra. Fumo prensado, uma lasca cheirosa enrolada em papel filme. O policial sorriu debochado:
– E a pontinha, cadê?
– Que pontinha?
– Porra, não começa de novo, guri. Passa a pontinha, passa.
Completamente chapado, Jaime levantou o pé que escondia o flagrante. O policial pegou a ponta, girou nos dedos, olhou de um lado, olhou de outro, e então mostrou ao colega, que se surpreendeu:
– Pô, bem fechado pra caralho, hein?
– Tu tem prática, hein? Senta ali com o teu amigo – disse o primeiro, apontando o mesmo MORRINHO onde estavam sentados no começo dessa AVENTURA. Jaime o atendeu. Os dois policiais se aproximaram e sentaram-se à sua frente. Pedro olhou para Jaime, que, após o elogio do policial, havia ficado totalmente DURINHO, como se tivesse CONGELADO no tempo. O policial olhou para a ponta, depois para o fumo, então sorriu e perguntou:
– Como é que tu enrola assim tão bem?
Jaime permaneceu imóvel. O policial continuou:
– Quer dizer, como é que tu enrola assim? Eu tento que tento e só sai uns PASTEL muito fudido. Não tenho a MANHA, é uma merda. Toda vez que eu vou botar um pra gurizada fumar, os caras ficam tirando uma com a minha cara porque eu só enrolo umas BALAS DE CÔCO. Diz pra mim, como é que tu faz? Qual é o segredo?
Jaime não acreditava no que o policial lhe pedia. Pedro, menos catatônico, resolveu se manifestar:
– Do que tu tá falando? Quer nos torturar? Já não chega ter nos pego com cinqüenta gramas de fumo?! Olha que eu vou chamar os DIREITOS HUMANOS!
– Não, não, gurizada: na boa. Eu não vou prender vocês. O lance é o seguinte: eu e o soldado GAMA passamos aqui todos os dias, mais ou menos nessa hora, logo depois que o sol se põe. A gente sabe que aqui sempre tem nego fumando e a gente vem aqui justamente pra isso, pra ver se alguém nos ensina como se enrola um baseado. Mas é só a gente chegar ali na curvinha pra alguém gritar que a gente tá chegando e sair todo mundo FUGANDO.
– Ah, pára!
– Tou te dizendo. E não é só a gente que faz isso: isso é comum entre TODOS os policiais. A verdade é que nós somos muito ruins fechando baseado.
– Tu tá louco, cara. Tá mais louco que nós.
– Não, não, numa boa. Aqui. Olha. Tá vendo aquele pessoal de CAMPANA ali naquela viatura? Porque tu acha que eles não vieram aqui dar um ATRAQUE em vocês?
– Pois é, boa pergunta.
– É que ontem eles pegaram uns surfistinhas do Moinhos que já ensinaram como é que se enrola um beque, então eles não precisam de vocês.
Eis uma afirmação que fazia certo SENTIDO, pensou Pedro.
– Pô, peraí. Tá falando sério?
– Seríssimo. Agora tu vai nos ensinar ou quer passar a noite na DEPÊ?
Sem ter nada a perder, Pedro resolveu obedecer.
– Tá, me passa o fumo aí que eu te mostro, então.
– Vai lá.
– Assim, ó. Primeiro tu pega o tijolinho e tira uma lasquinha. Depois tu pega essa lasquinha e esfarela tudo bem esfareladinho entre os dedos. Tem que ficar bem esfarelado mesmo, não pode ficar esses caroços aqui senão não fecha nem queima direito. Isso chama ESMURRUGAR.
– AHHHHHHHHH!
– Aí tu pega a tua seda e põe esse farelinho dentro, ó. Daí tu rola pra cima, pra baixo e vai rolando até ficar bem apertadinho, saca? Pega aí, dá uma praticada.
– Hum… Pô, esfarelado assim fica fácil de enrolar mesmo.
– É o segredo.
– Tá, e agora?
– Agora tu dá uma lambida aqui ó, que é onde tem a GOMA. Lambe e termina de rolar. Uma das pontas tu segura firme com os dedos e GIRA, pra fechar. A outra, tu deixa aberta. Aí tu vira ele com a ponta fechada pra baixo, pega um palitinho ou qualquer outra coisa e enfia assim, ó, pra PILAR o fumo. Vai, tenta tu.
– Peraí… deixa eu ver… Pô, olha só, Gama, enrolei um tri bom agora.
– Deixa ver. Ih, enrolou mesmo, hein? Que massa.
– Bom, guri, acho que era isso. Tó o teu fumo e te arranca daqui.
– Valeu, seu guarda.
– Eu que agradeço. E vê se não esquece da pontinha. Até.
– Até.
Os brigadianos montam nos cavalos e começam a ir embora. Durante todo o tempo, Jaime permaneceu sentado, de boca aberta, ainda sem acreditar muito no que tinha visto. Pedro resolveu dar-lhe um SACODE.
– Ô Jaime. Acorda, rapá!
– Cara… aconteceu mesmo isso? Tipo… os porcos nos pararam pra perguntar como é que se ENROLA um back e tu ensinou?
_Ensinei Véio...
– É…ou esse teu fumo, é mesmo uma paulada no Globo em!!
– Pódi crê.
_Tive a mesma viagem.

sábado, 10 de novembro de 2007

_I_ Ué Maluco _I_

A morte é um bem quando a vida se torna um Mal.

Einstein...


Creio em um Deus pessoal e posso dizer que, nunca, em minha vida, cedi a uma ideologia atéia.
Não há oposição entre a ciência e a religião. Apenas há cientistas atrasados, que professam idéias que datam de 1880.
Aos dezoito anos, eu já considerava as teorias sobre o evolucionismo mecanicista e casualista como irremediavelmente antiquadas. No interior do átomo não reinam a harmonia e a regularidade que estes cientistas costumam pressupor. Nele se depreendem apenas leis prováveis, formuladas na base de estatísticas reformáveis. Ora, essa indeterminação, no plano da matéria, abre lugar à intervenção de uma causa, que produza o equilíbrio e a harmonia dessas reações dessemelhantes e contraditórias da matéria.
Há, porém, várias maneiras de se representar Deus.
Alguns o representam como o Deus mecânico, que intervém no mundo para modificar as leis da natureza e o curso dos acontecimentos. Querem pô-lo a seu serviço, por meio de fórmulas mágicas. É o Deus de certos primitivos, antigos ou modernos.
Outros o representam como o Deus jurídico, legislador e agente policial da moralidade, que impõe o medo e estabelece distâncias.
Outros, enfim, como o Deus interior, que dirige por dentro todas as coisas e que se revela aos homens no mais íntimo da consciência.”